10.11.09

Huxley e Orwell

A primeira vez que li Admirável Mundo Novo e 1984 eu estava na sexta série. Esse livros, mais “Christiane F” foram meu ritual de iniciação à adolescência. Óbvio que os reli algumas vezes depois, com olhos mais maduros e complementando minha compreensão dessas obras, mas posso afirmar que foram fundamentais na formação de meu caráter. Por um lado, uma ojeriza a qualquer ideologia que esmagasse o indivíduo. Por outro, olhos sempre abertos ao risco da alienação pelo superconsumo e pela propaganda.

Ao ler o texto do TdC, notei um viés nítido. O autor sugere que o risco atual deriva muito mais da realidade Huxleyiana do que da obra de Orwell e discordo disso completamente. A verdade é que a forma de dominação utilizada por quem detém o poder é pendular. Opressão aberta ou sedução pelo desejo de consumo são aplicadas de acordo com o grau de vulnerabilidade da sociedade em um determinado momento.

No Brasil, temos claros os ciclos de opressão nos governo Vargas e na ditadura militar. E ouso dizer que, se não tivéssemos vivido o episódio do mensalão, a postura do governo atual se aproximaria muito da conduta bolivariana de nuestros hermanos andinos, que silencia opositores, imprensa e desafetos em geral.

Outro exemplo é a China, que saiu de um longo ciclo de ditadura do proletariado para um modelo híbrido, que explora o desejo de ascensão individual. Quanto tempo levará para o pendulo do maior país do mundo pender novamente para Huxley? O massacre de Tian'anmen foi em 89. Esperem os chineses perceberem que o brilho do dinheiro não é para todos e verão o dragão engolir seus filhos novamente.

Mesmo nos EUA, o último governo Bush tinha um viés totalitário. Um modelo chinês ás avessas, onde a pátria do hiperconsumo usou do patriotismo uma desculpa –as usual– para justificar Guantánamo e a violação de direitos individuais.

Portanto, a situação é mais complicada do que parece. Quando nos preparamos para enfrentar o ogro destruidor, surge uma sereia sedutora que nos afoga. Quando tampamos os ouvidos como os argonautas, pedras nos são lançadas.

O preço da liberdade é a eterna vigilância.

Abraço a todos.

1 Comments:

At 10:19 AM, Blogger Leivison Dias said...

Sedução quando possivel, e violência quendo preciso

 

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